A Longa Caminhada


Em uma semana com Audiência Pública sobre o carnaval de Florianópolis, em tempos de renovações administrativas em duas escolas de samba recentemente, muitas coisas passam pela minha cabeça. Começo dizendo que não sou pessimista, mas realista, pelo que vou escrever abaixo.
Se fossemos listar todos os problemas que envolvem as escolas de samba, blocos, grandes sociedades, daria um livro grosso, daqueles de umas 500 páginas. Começo dizendo que estamos no mesmo modelo ou forma de planejar e executar o desfile das escolas de samba há uns 40 anos. Sim, o desfile foi oficializado em 1961 pela Prefeitura Municipal e passou a ser administrado pela Secretaria de Turismo, teve poucas alterações no que toca o foco da discussão pelo cancelamento do desfile de 2013: dinheiro! A questão pra lá de falada, que é a independência financeira das agremiações. Nem vou entrar no mérito que tivemos uma Liga no passado e atualmente temos a Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (LIESF) e a Liga das Escolas de Samba da Grande Florianópolis (LEGRANF), que ainda não resolveram a questão financeira sem depender do poder público.
Diante de uma lista extensa de problemas, como verbas para todas as agremiações (blocos, escolas, Grandes Sociedades), ausência de uma Cidade do Samba, memória do carnaval jogada no lixo (porque não existe mais o Museu do Carnaval), Liga estruturada para pegar o evento todo e falta de ousadia administrativa por parte das entidades, eu começaria a repensar a forma como as escolas trabalham de início. Credibilidade não se conquista do dia para a noite, você precisar estar estruturado, com projeto, planejamento e algo executado com sucesso para alguém acreditar em você, na maioria das vezes. Se você faz no improviso ou não tem uma estrutura razoável, nem mesmo se fizer bem feito isso será suficiente para todos apostarem em você.
É a hora das escolas começarem a enxergar as agremiações como empresas, com diretores que entendam das funções que irão executar, sejam técnicos no assunto que irão trabalhar e defender. A profissionalização do carnaval, em todos os seus setores, é algo lento, complexo, envolve romper barreiras, mas nunca é tarde para começar a buscar um novo caminho. Só com uma mão de obra voltada às novas ações e a construção da Cidade do Samba, existe a possibilidade do carnaval começar a trilhar um novo rumo. Durante o processo, é imprescindível que a transição seja feita devagar, sem cortes de verbas, nem nada radical, é necessário o apoio da Prefeitura e do Governo do Estado nessa caminhada. Se tudo isso que citei não acontecer, existirá sempre a dúvida: vai ter desfile? Porque carnaval terá todos os anos…

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One comment

  1. Boa noite Marja
    Graças a Deus que vem a comungar comigo, pois muito já postei sobre este assunto e acho que ate o momento nada mudou. Estamos num divisor de águas, ou se busca a independência com forte embasamento fazendo um grande diagnostico das agremiações visando buscar a cura dos males familiares que tanto atrapalham o processo de modernização ou estaremos sempre fadados a ficar na eterna espera do poder publico em fazer o famoso jogo do toma La da cá. Marja não sou pessimista maia também não posso ser tão otimista mais sim realista: não acredito que as coisas mudarão… pois tudo é curral eleitoral e dentro das comunidades as pessoas que tem capacidade de mudarem este estado de coisa não tem possibilidade de tomarem a frente para que as mudanças aconteçam porque são podadas de seus anseios de renovação e de qualificação pelos velhos ranços e dos interesses pessoais um função dos que se acham donos e que por circunstancia tem medo de perda de referencias. É Marja cortar essas raízes que estão a fazer tanto mal ao nosso carnaval e em especial as nossas Escolas de Samba não é e não será tarefa fácil…

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