Coluna de Quinta – A Estreia!

No projeto original deste blog, havia dois espaços esporádicos para este blogueiro. O Samba de Domingo já é conhecido dos leitores, pois traz em alguns domingos um samba-enredo comentado mais extensamente. O outro espaço seria a Coluna de Quinta, a ser publicada geralmente às quintas-feiras, provocando um trocadilho proposital: os incomodados com a acidez dos comentários poderiam bradar contra o blogueiro que escreve uma “coluna de quinta” sem que isso soasse necessariamente ofensivo. O formato é este: no título, o principal assunto da semana; no texto, vários tópicos abordados em “tiros rápidos”. Eis que, finalmente, estreio este espaço, para alegria – ou não – dos senhores.

Carnaval da desculpa
É inegável que o atraso no repasse da subvenção municipal às escolas de samba acarretará enormes problemas. Haverá dificuldades para encontrar alguns materiais, o preço de outros estará mais alto, o tempo para confecção será curto, etc. É fundamental, portanto, que sejamos razoáveis nas cobranças feitas aos dirigentes e profissionais do carnaval. Entretanto, causa preocupação uma cultura arraigada em nosso carnaval: em caso de quebras de alegorias, incêndios, tempestades e outros elementos dificultadores, costuma-se praticar a anistia ampla, geral e irrestrita. Em suma, transforma-se um problema pontual em causa, escudo ou cegueira de todos os outros, na famosa fantasia de que “se não fosse aquela tragédia…”. É a típica falácia oportunista, agressiva à lógica elementar, pois generaliza um aspecto específico e característico de uma parte para justificar o todo. Então, nem ao Céu, nem ao Inferno. Sejamos compreensivos, mas dentro dos limites do bom senso!

Obrigações
O atraso na subvenção não tira dos carnavalescos, enredistas e direções de carnaval a obrigação de apresentar um enredo coerente, com um fio condutor consistente, um encadeamento lógico de ideias. Destes profissionais, é mantida a obrigação de levar à avenida soluções criativas e de bom gosto, com boa utilização dos recursos à sua disposição, gerando efeitos visuais que transmitam ideias narrativas. Aos intérpretes, é mantida a obrigação de valorizar os sambas que, por obrigação dos compositores, devem ter criatividade melódica e poética para contar o enredo. Aos diretores de harmonia, conduzir a escola a um desfile compacto e aguerrido. Aos casais, dançar com elegância. Às comissões de frente, apresentar a escola com dignidade. Poderia listar muitas outras obrigações, mas sinto que o recado está claro: pouca coisa muda, apesar de ser recomendável bom senso na hora das cobranças, o que não significa que não devam ser feitas.

Mais uma vez…
A Consulado se vê envolvida em mais uma polêmica envolvendo samba-enredo.  Desta vez, porém, saio em defesa do presidente Salomão. Não teço argumentum ad hominem. Quando é caso de elogiar, elogio, quando é de criticar, critico, e quando é de defender, defendo.  Faz uma “lambança” quem confunde situações e mistura desavenças passadas ao momento atual ou tenta associar, indevidamente, esta situação à perda do título de 2009. Ora, sejamos razoáveis! Não é possível que, sobre as costas deste homem, se lance todo tipo de pedra! A decisão de não escolher nenhum dos três sambas é amparada pelo regulamento. Por obrigação, quem concorreu conhecia a possibilidade. Não se pode tirar da escola o direito de buscar uma solução no caso de, entre as obras inscritas, nenhuma se adequar aos critérios mínimos estabelecidos. Não entrarei no mérito da medida, pois não cabe a mim externar veredictos acerca de escolhas de uma co-irmã. Eis a diferença elementar: se situações do passado contribuíram para o fracasso deste concurso, é outra matéria, que não deve ser confundida com a decisão em si.

Mangalarga também é cultura!
A Beija-Flor alterou um verso de seu samba. Em vez de “trotando”, agora temos “mostrando elegância e bravura”. A explicação é simples: um dos grandes valores do cavalo mangalarga é exatamente o de marchar em vez de trotar, o que possibilita maior conforto ao cavaleiro. Taí… já aprendemos alguma coisa com esse enredo esquisito da escola de Nilópolis!

O voto de confiança em Zeca Machado
Conversei com dirigente de peso de nosso carnaval, que tentou me convencer dos valores de Zeca Machado à frente da LIESF. Em partes, conseguiu. Há uma lógica na articulação da Liga em relação à crise atual. Discordo veementemente das opções, mas nada é gratuito. Da conversa, saí com uma certeza: a LIESF peca por trabalhar às escuras, gerando nebulosidades e dando margem a todo tipo de dúvida e interpretação. É necessário trazer à luz da sociedade as posições da entidade. Cabe dar um voto de confiança ao presidente Zeca Machado, que precisará conduzir de maneira brilhante o Carnaval de 2013 para honrar as expectativas da comunidade carnavalesca e melhorar sua popularidade no meio.

Isto é um absurdo!
Minha posição quanto ao desfile dos Amigos do Caramuru no Grupo Especial em 2013 é questão que reservo ao foro íntimo. Dela independe a constatação de um ultraje, um absurdo, uma vergonha, que é a existência de impasses quanto a isto a menos de três meses do carnaval. A LIESF, publicamente, ignora a participação do Caramuru no Especial. A Prefeitura trata como coisa resolvida.

Não é possível que as partes sejam incapazes de solucionar a questão, nem que seja através de arbitragem judicial! Se necessário, em vez de empurrar com a barriga, tranquem-se numa sala, como no conclave que escolhe o papa, e só saiam de lá quando algo estiver decidido. A incerteza é um desrespeito a todas as agremiações carnavalescas da cidade, às comunidades e profissionais do carnaval.

Mentira
É ridícula a tese que se tenta, sem sucesso, veicular na cidade, de que a Lei de Responsabilidade Fiscal obriga a governança do aparelho estatal a parar a cada dois anos por conta da eleição de novos representantes. Por óbvio, a lei controla apenas a adequação dos gastos à arrecadação. Não trava coisa nenhuma! E o período de transição, meus senhores, é mera metáfora política para definir o período em que o futuro chefe do Executivo toma par da situação da estrutura que irá administrar. Fora isso, quem responde pelo Executivo Municipal até 31 de dezembro é o prefeito atual.

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