Coluna de Quinta – De volta para o futuro

De volta para o futuro

O retorno desta coluna – contra minha vontade, pressionado pela meia dúzia de gatos pingados que têm paciência para meus textos – estava previsto para a última quinta-feira. Preparava um texto sobre enredos. O assunto teve de ser posto de lado após a bombástica paralisação das atividades nas escolas locais. Porém, após ler e ouvir opiniões variadas em fóruns, redes sociais, entre amigos e na imprensa, constatei algo assustador: não há nada de novo a ser dito sobre o carnaval de Florianópolis. Lembrei-me da inércia e dos conceitos antigos que imperam e me desmotivam a escrever e resolvi fazer um apanhado de algumas colunas antigas para que o leitor perceba que a situação atual não traz qualquer novidade. Nada mudou de 2013 para 2014.

Prudência e consistência, a cruz da salvação (21/12/2012)
É cada vez maior o número de pessoas que, a exemplo deste escriba, acreditam que um caminho mais correto seria utilizar os próximos meses para o fortalecimento interno das escolas, com a realização de eventos e uma maior inserção na vida da cidade. Paralelamente, a LIESF poderia formular um projeto consistente para o Carnaval 2014, de maneira a atrair parcerias com a iniciativa privada e, em parceria com o poder público, tornar o pré-carnaval e os desfiles mais atraentes para os turistas e mais envolventes para a cidade.

Os novos postes de uma cidade torta (07/06/2013)
Sim, o que nos interessa são os turistas! Lembrem-se que o carnaval de 2013 foi um sucesso, na visão da Setur, conforme anunciado na Audiência Pública sobre o tema na Câmara de Vereadores. Números, números e mais números. A cidade gastou menos – será mesmo? – e recebeu mais. E o que é esse mais? São os turistas! Não temos que produzir cultura nem arte… temos que produzir turismo! [percebam o tom irônico] E o que os “bons turistas” querem? Qualquer coisa, “só não querem que lhes falte a danada da cachaça!” A rede hoteleira, as rotas gastronômicas, as boates… ah, como nossa cidade anda pra frente!

Lições (06/12/2012)
Devemos tirar lições dos dias conturbados que vivemos. Se a atitude da Prefeitura é irresponsável, cabe constatar que causaria maior comoção popular caso as escolas de samba ocupassem espaço efetivo na vida da cidade. A fragilidade das agremiações é tamanha que soa utópico cobrar projetos sociais mais efetivos, gestões modernas, mobilização ao longo do ano etc. No entanto, são avanços que precisam ocorrer, no máximo, a médio prazo. As escolas de samba precisam se repensar. Fosse eu presidente de qualquer escola, chamaria as pessoas mais envolvidas e apaixonadas para uma assembleia informal, de reflexão, para apontar erros, acertos e novos caminhos. Os dias são difíceis e algo novo precisa acontecer. É um momento importante para a reconstrução das escolas. Caso contrário, o horizonte é o pior possível.

Frase da semana (11/04/2013)
É de Gabriel Mello a frase desta semana: “Formar em casa, lapidar, exercer a função de escola de samba, ninguém exerce. É mais fácil olhar a mulher do vizinho, que tá gostosa agora, e apresentar o contra-cheque…”

Política(s) (21/12/2012)
É óbvio que o carnaval de Florianópolis não atrai turistas para a cidade! Não há peças publicitárias e políticas de divulgação da cidade e do estado como destinos turísticos em que o carnaval de Florianópolis é inserido de maneira relevante. Os ensaios técnicos e os desfiles na Praça XV não estão no calendário da cidade. A reforma do sambódromo foi feita na contramão da história: enquanto o Rio derrubou camarotes para erguer uma estrutura mista e ampliar o espaço para o público, Florianópolis utilizou um espaço virgem para erguer um horroroso prédio de camarotes. Para piorar, a venda de ingressos é pífia: o “turista imaginário” teria que aguardar a semana dos desfiles para descobrir onde e quando será a venda de ingressos e torcer para conseguir uma vaga após passar no mínimo uma noite na fila. É muito simples dizer que as escolas não dão retorno para a cidade, como insinuam insistentemente os porta-vozes das elites em alguns conglomerados de comunicação. Os desfiles, que são de alto nível e estão entre os melhores fora do eixo RJ-SP, não conseguirão, por si só, atrair turistas nessas condições.

Pela lógica… (25/04/2013)
Ninguém elege os conselhos. Estes elegem os presidentes, que elegem o presidente da Liga. No fim das contas, se mal somos representados dentro das próprias escolas, qual é o sambista que se sente representado pelo tal do Zeca Machado, presidente da LIESF?

Sonhei com Che Guevara (01/06/2013)
Peregrinamos em conversas curtas, porém calorosas, fazendo campanha por mudanças no carnaval de Florianópolis. Comentávamos questões artísticas também, mas principalmente as organizacionais. Insistíamos na abertura para novos quadros e revisão de modelo de gestão das escolas. Então, uma figura eminente de uma tradicional escola lançou o viciado argumento: “eu até concordo com o que vocês estão dizendo, mas uma andorinha sozinha não faz verão”. Che Guevara emputeceu-se, (…) lançou apenas uma frase, que soou como uma hecatombe, despertando-me de meu descanso nos braços de Morfeu:

“NÃO ME INTERESSA O VAZIO EM QUE VIVES, MAS O VAZIO COM QUE SONHAS”

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2 comments

  1. Ótimo post, William! Resgatou informações que consolidam a situação atual do carnaval das escolas, ou seja, nada mudou! As escolas não buscaram se adaptar às mudanças inevitáveis, dadas as circunstâncias. As que conseguiram alguma coisa, sabem que é muito pouco! Somado a isso, aconteceu a paralisação por falta de pagamento do governo do estado, o qual, em tom de “abafar com chave de ouro”, contratou os shows nacionais para as mesmas datas! Larguei de mão, desanimei, enjoei e sei lá mais o que! O desfile das escolas está fadado a acabar, creio que daqui pra frente será cada um por si e Deus por todos!

  2. Desse jeito nossas escolas morrem em 5, 10 anos. Só a título de curiosidade, ontem passei em frente ao galpão da Tenente do Diabo ali no Itacorubi e o ritmo era frenético para finalização das alegorias, mesma coisa vi no galpão da Protegidos na quinta-feira a noite. Ontem também, havia inúmeros componentes da bateria na sede da Coloninha, provavelmente ensaiando.

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