Coluna de Quinta – Pela diminuição do tempo de desfile

Vila Maria 2013 - ala

Vejam a foto acima. É do desfile de 2013 da Vila Maria, rebaixada no carnaval de São Paulo em um ano dificílimo. Atentem para o efeito glorioso do conjunto: o brilho dos metalóides enche os olhos e equilibra os belíssimos cestos redondos nos costeiros. A forma destes – multiplicada pelo número de componentes da ala – marca visualmente. A fantasia é leve e adequada à temática da imigração sul-coreana no Brasil. Dificilmente veríamos algo semelhante em Florianópolis. Uma crítica aos carnavalescos? Não! Nesta coluna, trago uma reflexão que fiz durante o carnaval de São Paulo. Atenção: o nosso tempo de desfile é um absurdo!

O teste de resistência
Nossas escolas de samba são grandes instituições, muito amadas por todos nós, capazes de realizar grandes apresentações. Porém – é inegável! – por vezes assistir aos seus desfiles é um desafio enfadonho. Após um torturante intervalo de 20 minutos – o total de intervalos corresponde a um desfile inteiro! – o público é submetido a mais um teste de resistência, na espera de comissões de frente que estendem suas apresentações por, em alguns casos, quase uma hora. O infeliz que não conseguiu passar no teste inicial, o das filas noturnas para compra de ingressos, ainda tem o consolo de usar esse tempo para preparar uma pipoca ou tomar um chicabon enquanto os comentaristas da RBS tentam tornar interessante a transmissão de nada. É constrangedor! Entre a saída da bateria do segundo recuo, quando o desfile praticamente acabou na televisão, o intervalo e a chegada da próxima comissão de frente a um ponto mais avançado da pista, é cerca de 1 hora em que nada acontece.

Quando 65 é mais do que 80… na intensidade!
O carnaval de São Paulo é fabuloso. Não vou me estender por suas qualidades visuais ou musicais, pois quem ainda não conhece está perdendo tempo. Mas é fabuloso. Quando acabou um desfile, começou o outro. Os poucos minutos de intervalo mal servem para beber um guaraná. As escolas são maiores que as nossas. São cerca de 3000 componentes, com algumas chegando a quase 5000, divididos por 5 alegorias. O tempo de desfile de 65 minutos faz com que nada demore: é uma informação atrás da outra, não há monotonia… quando você se dá conta, o desfile acabou saboroso, antes que você possa cansar. Mal comparando, São Paulo é o carnaval da Internet, da velocidade, de mudar de uma página para outra rapidamente, novas informações surgindo à sua frente constantemente. Florianópolis ainda não alcançou a “era digital”. Nossos 80 minutos são uma eternidade.

“Tempo para brincar na pista”
Certamente, há alguns leitores espumando e exclamando: “Ah, esse Willian! Não sabe que bom mesmo é ter tempo para brincar na pista, é a passista requebrando como antigamente, é a escola solta para o sambista brejeiro dizer no pé…”. Pois bem, admitamos por um momento que toda essa conversa saudosista seja convincente. Feito isto, meu argumento é inválido? Não! O que ocorre, caro leitor, é que as escolas não desfilam soltas e com tempo sobrando para passar na avenida porque preparam “cabeças” de desfile muito lentas. Com isto, o tempo tomado pelo quadro inicial, geralmente composto por comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira e abre-alas, é muito grande. As apresentações se tornam cansativas e todo mundo desfila com o “passinho apertado”. E vale lembrar: na década de 1980, o tempo de desfile era de 45 minutos.

Tom Maior 2013Ponderando
É evidente que os 65 minutos de São Paulo são pouco para o tamanho de seu carnaval. Qualquer pessoa que assiste aos desfiles pela televisão sabe disso. Sempre há problemas. Provavelmente, 70 minutos seria um limite mais justo. O que vale notar é que não se vê as escolas paulistanas obrigadas a correr o tempo todo ou o componente tendo sua brincadeira limitada. A evolução ocorre em velocidade agradável para todos. Nem mesmo o mais chato dos sambas e o menos criativo dos desfiles causam tédio.

Solução para Florianópolis
Qual seria o tempo máximo de desfile ideal para nossas escolas? Sinceramente, eu não sei! O que sei é que 80 minutos é muito tempo e que o início da maioria dos desfiles é extremamente vagaroso. A lentidão de algumas comissões de frente é inadmissível! Não se pode deixar que um quesito prenda todo o resto da escola e tome a maior parte da apresentação. Talvez nem seja necessário mexer no regulamento. Basta utilizar o tempo atual de maneira, digamos, mais racional. Se considerarem esta reflexão absurda por ser eu o escriba e por falar de São Paulo, vale a nota: esta discussão começa a tomar corpo no Rio – através de grandes nomes, como o da carnavalesca Maria Augusta – após o fiasco das comissões de frente e seus caixotes em 2013.

Se eu fosse presidente…
…não tenham dúvidas que diria ao diretor de harmonia da minha escola para programá-la para desfilar no tempo mínimo, com um início mais ágil. Como imprevistos sempre acontecem, acabaria desfilando num tempo médio e não ocupando longos 80 minutos. O público agradeceria.

É importante lembrar…
Há alguns dias, em uma cobertura, o colega Jorge Lautert foi abordado com uma frase parecida com “Estão chegando os caras do Na Avenida, que dizem que a Vila Isabel está se desmanchando, quanta petulância!”. Minha gente, esta coluna não é um editorial! É um espaço de opinião dado a este blogueiro, que tem liberdade de expressão. Portanto, o petulante sou eu, não é a equipe do Na Avenida. Apontei, sim, o encerramento de um ciclo, com suas marcas, rupturas e traumas. É algo que qualquer pessoa minimamente ligada ao mundo do samba carioca poderá confirmar. Está em todos os sites que cobrem o carnaval do Rio. Inclusive, citei como positivas as contratações de peso feitas pela escola como resposta ao desmonte de seu time. Sempre há uma distância entre a intenção de quem escreve e o entendimento de quem lê. É natural nos processos de comunicação, mas sempre é assustador quando acontece.

Identidade visual
Ah, sim… a foto do início! Faltou espaço para discorrer sobre o tema. Considerei muito importante nos desfiles de São Paulo em 2013 a forte identidade visual de cada escola, com caminhos corajosos, assumindo opções e estilos. Voltarei ao assunto em breve.

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