Confira a sinopse do enredo da Protegidos para 2013

O DIVINO ZUMBLICK

SINOPSE

A passarela hoje é a tela! Que recebe as cores de uma vida!

Vida de um grande artista catarinense… Orgulhoso de sua gente! Da sua amada Cidade Tubarão… O artista do “Divino”!

O Divino se encontra transparente nas manifestações da natureza, e surge espontâneo de dentro do próprio coração… Ele está ao alcance da compreensão humana, além de, evidentemente se encontrar explicado nos escritos sagrados de todas as religiões, cada uma com suas idiossincrasias e métodos de aproximação. Porém, do mundo Divino não se pode entender uma letra sequer, até o humano se tornar capaz de experimentar o Divino, e identificá-lo em ação através de si mesmo. Qualquer ser humano pode conversar diretamente com o Divino sem precisar de intermediários, pois Deus é a dimensão em que vivemos, nos movimentamos e experimentamos ser.

Assim, começamos a falar de Willy Alfredo Zumblick… Um ser especial enviado a Terra pelos deuses… Seria ele a encarnação de um deus grego, colocado no meio de nós… Divindade é o que não lhe falta! Divino é o seu dom! Divina é sua arte…

Um artista que não teve medo de ousar criar, com esmerada sensibilidade, luzes e cores, telas e esculturas para deleite dos nossos olhos…

Zumblick, ao pegar na textura áspera da vida, direciona inflexivelmente suas projeções, boas e ruins, atraentes e grotescas, de forma a re-significar nossas forças, bem como nossas ilusões, com o objetivo de conhecermos a nós mesmos e, por conseguinte, nossa verdadeira relação com os outros e nossa conexão com o divino.

Viva Santa Catarina por ser o seu berço! Estado pródigo em revelar artistas de talento invulgar. E numa profusão de cores e de luzes, vamos pintando a tela… De forma majestosa, bela e divinal. Em fantasias vivas apresentando a arte de Zumblick…

Sua obra transmite a docilidade ingênua, sua pujança criativa, seu vigor, sua poesia, a luz que enriquece a sua arte. Sempre liberto e personalíssimo, foi seu próprio mestre e seu fiel seguidor…

Pincelamos com as cores mais belas as facetas do seu mundo interior… Transpondo sentimentos, emoções, fantasias…

Entre lentes, ponteiros e relógios, começa a nossa viagem pela história Zumblick… As horas marcaram o início de sua trajetória!

A relojoaria do seu pai, o Cine Yolanda, os bailes, os saraus, as serenatas, os amigos e uma crescente e entusiasmada dedicação à pintura constituíam a essência do dia-dia de sua juventude… Sem abandonar a profissão e a loja de seu pai, Willy começou cedo a ensaiar os primeiros passos na linha misteriosa das artes plásticas. Os primeiros quadros foram aparecendo. O jovem pintor ia se tornando conhecido.

As horas passam, o ponteiro gira e nos leva a conhecer o tom do amor… O seu amor! Amor denominado de Célia Sá… Ela virou o seu anjo da guarda… Sua maior incentivadora, sua metade mais preciosa e mãe de seus cinco filhos.

Zumblick deixou fluir seu impulso criador e talento natural. A natureza, as paisagens, cenas do cotidiano, fatos históricos e tudo aquilo em que pousava sua fértil imaginação foram registradas em telas…

Sua arte cruzou as fronteiras do Estado… E no Rio de Janeiro veio à consagração. Seu nome entrou no hol dos artistas plásticos mais festejados do país.

O ponteiro da vida começa a girar

O tempo, em Zumblick, é identificado com a própria vida da alma, que se estende para o passado. Há em sua alma uma memória do passado que requisita sua presença no presente…

Assim a história de Willy começa antes mesmo do seu nascimento. Começa quando o seu pai, o alemão Roberto Zumblick, foi contratado por uma firma brasileira, de Brusque, para fabricar relógios, arte da qual era técnico.

Ser um relojoeiro também é ser um artista… Relojoeiro é um artesão que fabrica ou repara relógios. Nessa época, seu pai começou a ensinar a arte de relojoeiro, como desmontar, consertar e montar relógios… E assim, entre lentes, armações, blocos e do laboratório ótico, a Relojoaria Zumblick se firmou pela competência do relojoeiro e do ótico, a seriedade do negociante e a integridade do cidadão tornando-se respeitado por toda a sociedade tubaronense…

Tubarão, cidade nascida e desenvolvida às margens da rodovia BR-101, a 135 km ao Sul de Florianópolis, teve o privilégio de ser o berço e domicílio de Zumblick.

Aos poucos Zumblick foi crescendo e, com ele, a sua arte. Aos 15 anos, já se considerava “um artista”. Mas o seu sonho, e desejo, não eram os relógios. E sim o mundo. Queria conhecer lugares, viajar. Admirava os motoristas de caminhões, pois eles podiam andar pelos lugares, pelo país… Quis ele ser um deles. Ser “Um dos valorosos homens do volante que trafegam pela rodovia e abundam o progresso do nosso querido Brasil”. Em Tubarão também existe o Monumento à Mãe, que foi feito como forma de homenagear “o exemplo dignificante de mãe amorosa desvelada e amiga, aquela que em todas as horas agasalha seu filho, com ternura e amor”. No ano 2000 realizou seu grande sonho: teve inaugurado o Museu Willy Zumblick, no centro da cidade, onde estão permanentemente expostas setenta telas e pequenas esculturas, instrumentos de trabalho, objetos e comendas…

E lá se vão mais algumas horas… Horas entre relógios e lentes.

Zumblick e a História de Santa Catarina

Zumblick fez dos talentos com que Deus o dotou alavancas geniais e poderosas, com as quais iluminou o cenário catarinense.

Sua obra é de amplitude tão grandiosa quanto bela. Retratou em suas telas, o movimento do povo, as danças, os costumes e até o carnaval de Florianópolis. Sua percepção faz com que lhe sejam íntimos os traços de caráter das suas personagens. São “de casa” as peculiaridades e características dos cenários que retrata. Ao lado de outras telas, retratando a vida do povo, seu folclore, os fatos históricos de Santa Catarina, da região, da cidade, o talentoso Willy encontrava motivações suficientes para enriquecer a variedade de suas obras. Isso é ser fiel à sua terra e à sua gente, abriu a “janela” de seu estúdio para haurir os aromas e as diversidades Catarinenses.

Anita…

Considerada a “Mãe da Pátria italiana”, a memória de Anita Garibaldi foi perpetuada na escultura de tamanho monumental, esculpida e erguida na Colina do Gianícolo, em Roma, sob a qual, desde 1932, repousam seus restos mortais. Quando Anita faleceu, em 4 de agosto de 1849, tinham os garibaldianos perdido a primeira fase das guerras pela unificação italiana. Por dez anos a imagem de Anita ficou guardada somente na lembrança de seu companheiro, de seus três filhos e na memória dos fiéis garibaldianos, com os quais havia ombreado armas.

Zumblick teve significante contribuição para a perenização de sua memória. Com obras inspiradas na tradição oral e nos registros que imortalizaram a ação de Anita, mas que omitiram seus traços e feições. A concepção visual que nos transmitem suas pinturas remete nossa imaginação àquele período da história em que se tangiam as utopias.

E quem se concentrar diante das telas da coletânea garibaldiana de Zumblick sentirá melancólicos acordes de uma serena melodia… Trazendo para a nossa lembrança à época em que uma mulher e alguns idealistas fizeram prevalecer e perpetuar a nobreza dos seus ideais.

O Contestado…

O universo pictórico de Zumblick, na sua série O Contestado, mapeia não apenas o contexto histórico, cujo resultado se prefigura em telas que episodiam aspectos pontuais do conflito. Vamos lembrar os monges, dos sertanejos, dos heróis e heroínas, dos coronéis…

Assistir em telas o confronto nas primeiras décadas do Século XX, entre sertanejos e tropas militares, Pelados e Peludos. Motivados pela construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande.

Ao recriar algumas passagens do conflito que definiu as fronteiras estaduais, somos arrebatados pela luz recorrente e seus efeitos, que nos aproximam e, ao mesmo tempo, nos distanciam daquela experiência ubíqua, onde se presentificam analogias entre elementos factuais e imaginários. Nas suas obras, as fronteiras históricas são ultrapassadas.

A Religiosidade do Pintor das Bandeiras do Divino

No coração de Willy estava plantada a semente do apreço aos verdadeiros valores naturais e sobrenaturais. De alma sensível, participava de toda a vida do povo e absorvia a riqueza das tradições sociais e religiosas, trazidas de além-mar.

De sua sensibilidade artística e de sua formação ética e religiosa, o exímio pintor ia levando para as telas o que borbulhava no seu interior.

Aos poucos, ia armazenando em sua memória os lindos “quadros religiosos” vividos no decorrer de sua existência. Belos quadros… Da Santa Ceia, das procissões do Santíssimo Sacramento, da Paixão de Cristo, das Bandeiras do Divino e das festas de Natal foram conquistando aplausos de amigos e admiradores.

Nosso destacado artista sabia transportar para as telas os valores guardados dentro do seu coração, de sua alma religiosa. Humana e sentimental. Sua religiosidade se tornou pública e imortal. É o pintor das Festas do Divino… Ah o Divino!

Zumblick fez da “Bandeira do Divino” uma presença constante na sua obra pictórica, o que lhe valeu o título de “Pintor das Bandeiras do Divino”. Título merecido por inegável trabalho no resgate e no registro da Festa do Divino Espírito Santo realizada no litoral catarinense e, de forma particular em Tubarão, sua cidade natal.

Zumblick em quase duas centenas de telas imprime com imensa beleza a reprodução ou ilustração da festividade com sua cor, fitas, flores e bordados. Retratou os foliões, os impérios, a corte imperial, os bodos, as prendas, os festejos populares.

Disse ele… “Não conheço e não creio que outro pintor tenha dedicado toda uma vida como eu, pintando Bandeiras do Divino Espírito Santo. Enquanto não for convocado por Arcanjos e Querubins, para assumir lá do outro lado o posto de Porta-Bandeira (que para mim será uma honra muito grande), continuarei por aqui a pintá-las.”

Eis o povo que celebra com uma grande demonstração de fé e amor a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade… Testemunhos de uma herança que, por via da diáspora, chegou aqui. Sobreviventes de uma manifestação alimentada e enriquecedora, a cada ano pelo povo, com devoção e muita fé.

Uma tradição secular que veio junto da saudade, da esperança e dos conhecimentos trazidos pelos açorianos…

A Bandeira, a Coroa, o Cetro, a Salva, o Imperador, a Imperatriz, a Corte, a coroação, a procissão do séquito imperial, as novenas, as missas… A festa com seus símbolos e rituais… No cenário da tocante cerimônia da coroação do Imperador, por um breve instante, desaparecem as marcas do tempo, as distâncias geográficas. Fica nossa história… História que nos une ao arquipélago dos Açores. Juntos no coração e no louvor ao Divino…

Divino Espírito Santo que Willy Alfredo Zumblick soube retratar com muita sensibilidade na trajetória de seu caminho de vida e de arte… Com um olhar lírico e onírico, de grande doçura, a descobrir a magia da tradição secular.

Esse é o nosso Divino Zumblick… Nosso motivo! Nosso enredo! Nossa inspiração para o carnaval 2013… Ano que completaria 100 anos de vida! Ele foi um pintor raro que comungou com a terra a sua arte.

E o relógio continua a funcionar… Pois sua alma está aqui! Nas cores, nos movimentos… Nas lembranças de setenta e cinco anos dedicados a arte, e em nossos corações… Ele que nos deixou para ser o Porta-Bandeira do Divino lá no céu. Junto com seu Anjo… Sua pedra mais preciosa!

O Divino Zumblick… Nosso Carnaval é pra você!

Raphael Soares
Carnavalesco

Fonte:

Relatos de Raimundo Zumblick a quem faço um agradecimento especial

Volnei Martins Bez e Valmiré Rocha dos Santos – A Arte de Zumblick (2005)

Lélia Pereira da Silva Nunes – Zumblick, uma história de vida e de arte (1993)

Site: www.zumblick.com.br

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