Edu Aguiar – Chega de carnaval improvisado e empurrado com a barriga

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Foto: Cristiano Estrela

O carnaval improvisado e até certo ponto irresponsável apresentado na passarela “Nego Quirido” nesses últimos dois anos pela Liga das Escolas de Samba e pelas Escolas de Samba não deixaram de ser um  recado desaforado do mundo do samba de Florianópolis diante do comodismo   do poder público, que ignora a cidade, fazendo questão de desconhecer suas vocações e chega ao  ponto de ser incapaz de perceber as necessidades de sua gente. A prefeitura sempre em cima da hora acaba avalizando o carnaval sem medir as consequências e acaba fortalecendo uma espécie de “festere” a beira do abismo para depois  admitir as falhas e denominar o grande espetáculo como a festa da superação e da garra  como um  triunfo de um segmento significativo da cidade carente de lazer e esquecido pelo poder público.

Se a prefeitura considera o carnaval caro demais para ser mantido apenas com recursos do poder público, porque não buscar a parceria da iniciativa privada? Nesse ano, como terá eleição, certamente a prefeitura vai anunciar uma festa de arromba e vai continuar no erro. O carnaval de Florianópolis precisa de projeto consistente, duradouro, com planejamento e competência na execução e não apenas de ações eventuais, quase sempre eleitoreiras com retorno garantido para seus organizadores e nenhuma contribuição para o desenvolvimento da cidade.

Novamente estamos na estaca zero. Agora muito pior do que antes. Florianópolis não tem mais carnaval e muito menos projeto para recomeçar de forma mais organizada. O que fazer? Desta vez pelo menos a opinião pública foi enfática em defender a folia como uma festa de entretenimento popular que deve ser mantida como uma atividade econômica que traz divisas para a cidade. E isso é muito importante.

Há um excessivo moralismo em torno deste debate, se a prefeitura deve ou não organizar o carnaval. A prefeitura tem que estar onde o povo está, onde há a necessidade do poder público disciplinar, incentivar ou mesmo apoiar a iniciativa privada a desenvolver suas atividades que geram emprego, renda e riqueza para a cidade.

É preciso que as entidades organizadas do comércio venham a público mostrar que quem mais perde com o fim do carnaval é a própria cidade, que precisa explorar ainda mais a sua vocação turística para continuar com o crescimento econômico que tem experimentado nos últimos anos. Os prefeitos sempre falam com entusiasmo dos indicadores econômicos de Florianópolis, que mostram uma cidade em franco crescimento, mas esquecem de que a economia do município depende de muitos fatores, inclusive da indústria de eventos como o carnaval.

Pior do que não realizar um evento  como o carnaval que é uma  tradição é sentir a  falta de respeito com a cultura popular. E isso é muito perigoso. Um gestor que finge desconhecer certas datas do calendário da cidade, que esquece a população e seus desejos, em outras datas costuma ser esquecido por uma parcela importante dela, os eleitores. Chega de enganação e de empurrar o nosso carnaval com a barriga.

Florianópolis, 12 de julho de 2018.

Edu Aguiar.

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