Entrevista – Juliana Joy fala sobre ausência na disputa pela corte de Florianópolis

juliana_joyO ensaio da última terça-feira pegou muitos copalordeanos de surpresa, devido ao anúncio oficial da ausência de sua rainha, Juliana Joy, como representante da agremiação do Morro da Caixa no concurso que escolherá a Rainha do Carnaval de Florianópolis 2014.
Joy, 31 anos, não poderá participar devido a um polêmico item do regulamento, que restringe a idade das participantes. A Embaixada Copa Lord será representada pela 1ª princesa Fernanda Vieira.
Abrimos o espaço e Juliana Joy aceitou conversar com o site sobre o fato, que traz mais um debate controverso para o tradicional concurso que elegerá a corte momesca na sexta-feira, 14 de fevereiro.

Na Avenida – Você era considerada candidata natural ao posto de Rainha do Carnaval, porém não poderá participar da disputa por questões de regulamento. Do que se trata e como você recebeu esta notícia?
Juliana Joy – Sim, por ser Rainha da Embaixada Copa Lord seria a candidata natural para representá-la porém, no regulamento do concurso Rainha do Carnaval de 2014 consta que as candidatas devem ter idade entre 18 e 30 anos. Fiquei muito surpresa e decepcionada ao receber esta notícia pois possuo 31 anos completos e me encontro no auge de minha posição no carnaval de Florianópolis, tendo sido 1ª Princesa do Carnaval em 2011. Foi a preparação de todo um ano com academia, fantasia, preparação psicológica, várias pessoas envolvidas e tudo se acabou em apenas uma linha.

Na Avenida – Quando foi anunciada a sua ausência no concurso durante ensaio do Copa Lord na última terça-feira, você afirmou que foi “vítima de preconceito”. Houve alguma explicação da Prefeitura para a inclusão deste item no regulamento?
Juliana Joy – Penso que faço parte de uma cultura que já ultrapassou muitas barreiras, quebrou muitos paradigmas e a restrição na idade me excluiu sem ser analisada todas as outras variáveis como potencial, forma física, representatividade no carnaval, entre outros aspectos. Entendo que mesmo não sendo de forma proposital e pessoal, acabei sendo vitimada por uma restrição cuja alegação foi o fato de a Prefeitura ter tido problemas com candidatas maduras, por terem filhos e serem casadas, pondo em risco o cumprimento da agenda Momesca. Sabemos que esta justificativa não possui tanta relevância, exceto num caso isolado, visto que não há idade para mulheres terem filhos ou contraírem matrimônio, maior exemplo é o meu que possuo 31 anos não sou casada e não tenho filhos. O fato é que responsabilidade para com a agenda INDEPENDE da idade ou estado civil. Desta forma para medir o nível de COMPROMETIMENTO das candidatas é necessário se pensar em outra alternativa, uma entrevista na eliminatória, por exemplo, poderia ser uma solução.

Na Avenida – O que te levou a sonhar com o concurso neste momento de sua vida? O sonho acabou ou foi apenas adiado?
Juliana Joy – O sonho de toda passista é um dia fazer parte da corte de Momo, chegando ao posto maior de ser a Rainha do Carnaval. Venho galgando espaço com muita integridade, trabalho e dedicação e todos que me conhecem e que são participantes da Copa Lord sabem do meu amor pela Agremiação, pelo meu Pavilhão e neste ano tão especial sou a Rainha da Escola sendo o grande momento de minha carreira no Samba. Sonhos nunca acabam, se acabarem não passaram de simples desejo. Enquanto eu tiver possibilidade, força de vontade ainda estarei lutando para tornar o meu Sonho de ser Rainha do Carnaval realidade.

Na Avenida – Nosso site agradece pela sua gentileza e atenção. Gostaríamos de encerrar com uma palavra sua para as pessoas que torcem por você.
Juliana Joy – Gostaria de Agradecer ao site Na Avenida a oportunidade de esclarecer a todos da Nação Amarelo Vermelho e Branco e ao povo do carnaval o motivo de não poder representar a Embaixada Copa Lord no concurso deste ano. Deixo meu relato não num momento de fúria e revolta mas de forma resignada, para que sejam repensadas as regras do concurso e a forma de escolherem a Corte do Carnaval. Neste ano temos poucas candidatas inscritas sendo desnecessária a eliminatória, um fato triste pois concurso representa o desfile das Belas e talentosas mulheres da Grande Florianópolis, independente de sua idade, etnia, credo, orientação sexual etc. Vivemos em uma cidade MARAVILHOSA e o Carnaval é a expressão de um povo, fonte de renda e também um dos potenciais turísticos da Região. Meu sonho não acabou a esperança ainda existe, continuo a me preparar com dedicação para que no próximo ano possa ter a chance de subir ao palco e mostrar meu talento e amor pelo Carnaval.

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