Floripa – Escolas de Samba: há esperança?

Olá, povo do samba!

A reflexão de hoje passa pelos seguintes questionamentos: até quando teremos o prazer de viver a escola de samba como estilo de vida? Há esperança?

O site Na Avenida, em parceria com a Rádio Sambista e Rádio Guarujá esteve presente no desfile das Escolas de Samba de Florianópolis, participando da transmissão que teve alcance imensurável. Parceiros que nos oportunizaram a chance de dar mais um passo na direção de um sonho, que aos poucos vem sendo arquitetado, sem deixar de citar a grande contribuição de FSSOM Sonorização e Iluminação, que cedeu seus equipamentos para a empreitada. Gratidão!

A cada escola de samba que passava, chegava à mesma conclusão: a crise pegou mais uma escola de samba. Percebi que todas as escolas de samba tiveram uma apresentação aquém do padrão que a cidade estava acostumada a ver: com várias alas, fantasias bem trabalhadas e alegorias bem desenvolvidas.

O que  concluo neste aspecto é que a situação gerada pelas adversidades pede, urgente, um repensar sobre o desfile das escolas de samba, prezando principalmente pelo material humano. Este, sim, mostrou que para defender as cores do pavilhão das respectivas escolas de samba, vestiu sua fantasia, cantou seu samba para mostrar que na sua comunidade o samba é forte e pede respeito. Tal respeito passa tanto pelo poder público quanto por quem viabiliza e tem a procuração das escolas de samba para realizar os desfiles. Aqui já não cabe falar em nomes, mas em atribuições de fato (tema que será explorado em outra postagem). Evitarei citar nomes em razão de que o ocorrido foi simplesmente o último suspiro de um sistema falho e vicioso, que sequer foi pensado em fazer diferente. Não cabe aqui apontar qual gestão da LIESF foi a melhor para o carnaval, pois todas tiveram vícios que contribuíram de alguma forma para que o povo do samba lamentasse ter que apresentar um espetáculo muito inferior do padrão que gostariam.

Como já havia mencionado, o que salvou o carnaval foram as forças vivas das comunidades, que compensaram a falta de brilho e grandiosidade com garra e emoção. Foi nítida a reação da arquibancada na passagem da comissão de Frente da Nação Guarani, bem como com a passagem da bateria e das crianças da Unidos da Coloninha. Viu-se a reação positiva do público na passagem da dona Iraci, fechando o desfile da Consulado. Quem não teve o coração apertado em frente à cabine de jurados com o primeiro casal de Mestre-sala e porta-Bandeira da Escola de Samba Dascuia e, aplaudindo, solidarizou-se? E as largadas da Consulado, Copa Lord e Protegidos? Eu citaria vários aspectos diretamente ligados às forças vivas das comunidades para mostrar que Escolas de Samba precisam ser vistas como manifestação cultural, sim, de comunidades periféricas, que veem no desfile de suas agremiações a maior forma de expressão de seus sentimentos.

 

“Sonho de reis, de pirata e jardineira, pra tudo se acabar na quarta-feira”(Martinho da Vila)

Nos desfiles, chamou-me atenção as crianças, o futuro do samba, que não eram poucas e demonstravam com galhardia seu orgulho pelo que defendiam ali nos desfiles. Dentre as crianças sairão cabrochas, compositores, aderecistas, intérpretes, ritmistas, músicos, mestres-salas, porta-bandeiras enfim, todos que constroem o mundo do samba.

Gabriel e Clara, desde os 10 anos de idade conduzindo o pavilhão do GRES Consulado. Créditos: Rony Costa

Abstraindo-me do aspecto estético e observando apenas o lado humano na Passarela Nego Quirido, especialmente as crianças, posso concluir que existem razões de sobra para acreditar que teremos ainda vida longa a este estilo de vida chamado “Escola de Samba”. SIM, HÁ ESPERANÇA!

Sandro Roberto

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