Floripa – Leia o novo artigo do comentarista Edu Aguiar

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Foto do Desfile da Embaixada Copa Lord (escola do coração de Edu Aguiar) – Crédito: ND Online

Leia o novo artigo do lendário artista Edu Aguiar, nosso comentarista!

Boa leitura!

A ENGENHARIA/ ARQUITETURA NO CARNAVAL DE ESCOLAS DE SAMBA 

Que o Carnaval é uma grande obra, não há o que negar. E, como toda grande obra, precisa ter suas regras, principalmente no que diz respeito ao seu desenvolvimento e a sua segurança. Cada vez mais fica evidente que não basta somente ter na equipe a figura do carnavalesco (artistas plásticos), serralheiros, aderecistas, pintores, soldadores, etc. sem a participação de engenheiros e arquitetos na execução dos projetos de Carnaval das Escolas de Samba.

Um desfile é como a construção de uma casa. Assim como em qualquer projeto, o arquiteto – nesse caso o carnavalesco ou a comissão de Carnaval – tem um projeto imaginário, um sonho, que deve ser transposto para o papel e executado. É nesse ponto em que é necessária a colaboração da Arquitetura e Engenharia de alto nível, a fim de que o projeto final seja perfeito e seguro. A preocupação com a plástica é importante mais a segurança não pode ficar em segundo plano dentro do espetáculo, pois é dela que depende o sucesso do desfile em cada escola.

Na história do Carnaval tanto daqui como do Rio De Janeiro, como em outras localidades no Brasil, já observamos algumas situações de insegurança ao longo dos inúmeros desfiles. Sinônimo de emoção e alegria, os desfiles das Escolas de  Samba geram encantamento. Porém, a grandiosidade do espetáculo também pode representar perigo, isto é acidentes graves como incêndios, quebra de peças que compõem os carros, quedas de figurantes, abalroamentos, etc.

Não digo que esses acidentes sejam comuns, mas acontecem e, normalmente, privam a escola e o espectador de peças de rara beleza, como também colocam em risco a vidas de componentes, torcedores, fotógrafos, jornalistas. Os próprios acontecimentos através dos anos e este ocorrido em 2017 na Cidade do Rio de Janeiro onde varias pessoas ficaram feridas, reforçam cada fez mais a necessidade da participação da Engenharia e Arquitetura, para fazer uma real avaliação das condições técnicas dos carros, como, por exemplo, seu peso, altura real do veículo e questões relacionadas à sua mobilidade ao longo do percurso. Pois por varias vezes já presenciamos carros que quebraram ao entrar na Passarela, por não ter um projeto que levasse em consideração todas as variáveis necessárias. Esses detalhes, muitas vezes, acabam prejudicando toda a estrutura do Carnaval de uma Escola de Samba. Situação que poderia ser evitada com um acompanhamento profissional na montagem das alegorias.

Creio que, diante disso, para os próximos desfiles e na busca por um Carnaval cada vez mais seguro, deveria haver na comissão de carnaval a presença de Arquitetos e Engenheiros para dar um suporte ao desenvolvimento técnico da engenharia dos enredos. Como deve ser em qualquer obra, é necessário investir em projetos mais seguros a cada ano, objetivando alcançar a apoteose, com toda a segurança requerida. Esperemos que a Engenharia e Arquitetura, nos próximos anos, façam parte dos “enredos” das Escolas de Samba de Florianópolis. Com isso teremos certamente um carnaval muito mais seguro, sem os perigos tão eminentes na hora do desfile, e com isso o resultado final do grande espetáculo será muito mais significativo.

Nota: Não vamos remediar algo tão importante e fundamental para fazermos um carnaval seguro, e assim, não permitir que aconteçam por aqui fatos tão lamentáveis como os ocorridos no carnaval de 2017 no Rio de Janeiro.

Florianópolis, 11 de Janeiro de 2018.

Edu Aguiar

 

 

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