Protegidos abre Concurso de Samba de Enredo

Bandeira Os Protegidos da Princesa

Enredo: Emoldurada pelo mar, uma história que me representa: Crônica de uma cidade em transformação.

Quanto aos compositores:

I – Qualquer compositor poderá participar do concurso, sendo vedada a participação do mesmo em quaisquer outros concursos de samba de enredo para o Carnaval 2015 das demais cinco escolas do Grupo Especial da LIESF;

II – Cada compositor poderá integrar somente uma parceria;

III – Quando da inscrição no concurso, o(s) compositor(es) assume(m) expressamente que o samba irá pertencer ao GCERES Protegidos da Princesa, sendo da mesma todos os direitos inerentes à composição, interpretação, execução artística e uso comercial.

IV – Não há restrição quanto ao número de compositores em cada parceria.

Quanto ao samba:

V – A obra deve ser inédita, no que se refere à letra e melodia.

VI – Apenas os compositores responderão judicialmente em caso de incidência no item anterior, isentando a agremiação de qualquer responsabilidade civil ou criminal.

VII – O prazo máximo para a entrega da gravação do samba será impreterivelmente no dia 15 de setembro de 2014, entre as 14h e 20h.

VIII – A identificação do samba dar-se-á através de um número que será atribuído no momento da inscrição.

XIX – A entrega do samba será feita de forma pessoal, na quadra da escola, OU de forma eletrônica, anexando o samba em formato mp3 através do e-mail: concursosamba.protegidos@gmail.com e deverá conter:

a) 2 (dois) CDs gravados, que serão testados na hora;

b) 20 (vinte) cópias da letra, que devem conter informações úteis e contatos dos compositores;

X – Quando da entrega do samba de forma pessoal, será emitido um recibo de entrega datada e assinada pelo diretor designado pela agremiação.

XI – Quando da entrega do samba de forma eletrônica, será enviado um e-mail da escola ratificando o recebimento.

Quanto ao concurso:

XII – Será feita uma seleção preliminar das obras, de caráter classificatório. A possível eliminação preliminar será definida pela comissão de carnaval;

Obs.: apesar de a seleção preliminar ser baseada no áudio da gravação do CD, a seleção não depende de “superproduções”;

XIII – Primeira etapa: apresentação dos sambas classificados, a ser realizada no dia 02 de outubro de 2014, na quadra da escola;

Obs.: esta etapa, dependendo do número de inscritos no concurso, será divida em duas chaves, podendo ocorrer em dias diferentes, a ser marcado pela Comissão em tempo hábil.

XIV: Segunda etapa: semifinal a ser realizada no dia 05 de outubro de 2014, na quadra da escola;

XV: Última etapa: final no dia 12 de outubro, na quadra da Escola.

XVI – Com exceção da seleção preliminar, em todas as outras fases do concurso existirá um sorteio para definir a ordem das apresentações, com 40 (quarenta) minutos de antecedência do início do evento, devendo conter um membro de cada parceria no momento.

XVII – Será de inteira responsabilidade dos compositores a formação do grupo musical que interpretará sua obra.

Obs.: Caso necessário, a Comissão de Carnaval se coloca à disposição para da melhor forma contribuir com a apresentação das obras.

XVIII – O não comparecimento, em uma das etapas estipuladas previamente, da parceria devidamente inscrita, acarretará na sua imediata eliminação do concurso.

XIX – Tudo que corresponde à estrutura para a apresentação dos sambas – local, luz, som e palco – são de responsabilidade da escola.

XX – Todas as obras serão acompanhadas pela bateria da escola, sendo mantida a igualdade e o nível musical entre as apresentações.

XXI – A duração de cada apresentação dependerá de decisão da comissão de carnaval que será definida antes do início de cada etapa do concurso.

XXII – O número de classificados para a primeira fase dependerá, fundamentalmente, do número de sambas inscritos em tempo hábil e dos interesses da comissão de carnaval.

XXIII – O regulamento poderá ser alterado a qualquer tempo pela comissão de carnaval, cabendo à diretoria de comunicação da escola informar aos compositores em tempo hábil.

XIV – Caso a comissão de carnaval julgue necessário, o samba vencedor poderá ter sua melodia e letra modificados, para melhor atender às necessidades da escola.

Quanto ao julgamento do samba:

XXV – Além da comissão de carnaval, cabe também aos profissionais da escola indicados por aquela – entre carnavalesco, mestre de bateria, diretor de harmonia e demais integrantes e segmentos – a escolha do samba campeão.

XXVI – Não serão admitidos possíveis artifícios judiciais durante todo o processo de seleção, cabendo à comissão de carnaval do GCERES Protegidos da Princesa toda a responsabilidade pelo andamento do concurso.

XXVII – Os votos da fase final serão abertos a quem possa interessar, com a devida identificação e assinatura do julgado.

Considerações finais:

XXVIII – Como premiação serão pagas as importâncias de:

a) R$ 500,00 (quinhentos reais) para o terceiro colocado;
b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) para o segundo colocado
c) R$ 7.000,00 (sete mil reais), para o vencedor.

Obs.: O pagamento das premiações será feito de acordo com o calendário de repasse de verbas dos Órgãos Públicos que subsidiam o carnaval de Florianópolis.

XXIX – A conduta dos torcedores será de responsabilidade dos compositores dos sambas.

XXX – É vedado apresentar-se no palco vestindo camisa de outra agremiação, chinelo ou fumando.

XXXI – Os casos omissos serão resolvidos pela comissão de carnaval do GCRES Protegidos da Princesa.

XXXII – Será feita uma explanação do enredo pelo carnavalesco no dia 23 de agosto de 2014 (sábado), na quadra da escola, que se situa no bairro Itacurubi, na cidade de Florianópolis/SC, das 14h às 15h30 (quinze horas e trinta minutos). End.: Rua Coronel Luiz Caldeira 200 A CEP: 88034-110 Itacurubi, Florianópolis-SC

Anexo I – AOS COMPOSITORES

Uma sugestão do G.C.E.R.E.S. Os Protegidos da Princesa, é que equacionem de forma responsável suas apresentações ao longo da disputa. Nosso objetivo é dar oportunidade para que essas grandes obras sejam tocadas e amadurecidas naturalmente ao longo das eliminatórias, queremos contribuir culturalmente para a música popular e para o samba na cidade de Florianópolis. Sendo assim, sugerimos que escolham o grupo que defenderá seu samba no palco do concurso de forma racional, evitando gastos excessivos e desnecessários.

Este enredo sugere um samba interpretativo, ou seja: que conta o enredo sem se fixar em detalhes, mas que contém implicitamente a ideia e o espírito das principais passagens do enredo. Seguir esta linha não é uma obrigatoriedade ou limitação, mas uma sugestão artística que consideramos conveniente. O desfile será dividido nos seguintes quadros: “O homem e as riquezas do mar”, “Florianópolis portuária”, “Uma cidade em expansão” e “Engrenagem do futuro”, que correspondem à sequência narrativa apresentada na sinopse.

Não é necessário citar nominalmente estes quadros, tampouco dividir o samba rigidamente entre eles, apenas pedimos para lembrar de sua ideia e espírito durante a composição. Dona Didi é a narradora do enredo, mas o enredo não é sua biografia e não iremos contar sua história na avenida. A letra do samba pode ser composta em primeira, segunda ou terceira pessoa, cabendo aos compositores utilizar seu tino criativo nesta escolha. Não há limites de número de versos ou padrões a serem seguidos. Confiamos em seu bom gosto musical! Surpreendam e emocionem! Muita inspiração a todos e boa sorte!

Anexo II – SINOPSE

“EMOLDURADA PELO MAR, UMA HISTÓRIA QUE ME REPRESENTA
CRÔNICA DE UMA CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO”

Florianópolis, 15 de fevereiro de 2015.

Meus filhos e minhas filhas,

Quando a gente olha pra trás, começa a perceber o mundaréu de coisas que foram se erguendo neste pedacinho de terra perdido no mar. Aquele porto rodeado de umas ruazinhas, uma praça e uns pingados de casas que existia cem anos atrás, hoje é um infinito de prédios gigantes, um vai-e-vem incansável, o asfalto cortando o verde.

Antigamente, também tinha um ir e vir que deixava a cidade num rebuliço só, mas era muito diferente. Logo de manhãzinha, quando o sol se espreguiçava por trás do Mocotó e batia nas pedras de Itaguaçu, já se via o pescador indo colher os frutos do mar e a rendeira bordando com o bilro e contando histórias. Papai trabalhava no porto, era estivador e contava que era assim desde sempre. No mar que leva e traz, que guarda histórias, lendas e segredos, frutificavam as riquezas e acontecia a história da nossa cidade.

Lembro bem de quando fui morar com minha família de criação, num hotel ali na Rua Victor Meirelles. Era por essa hora da manhã que a gente descia pela Praça XV e via as quitandeiras numa gritaria vendendo de tudo. No Mercado, o pescador chegava com o peixe fresquinho e mais adiante a Rua do Comércio vendia os melhores tecidos, secos e molhados, calçados, joias e tudo mais que a gente quisesse. De longe, já se ouvia o barulho da Alfândega: era caixa pra lá, balança pra cá. O movimento era tanto que criaram uma Associação para o progresso chegar mais rápido. O porto fervia de gente e mercadoria que chegava e saía, desde que o Seu Carl Hoepcke, homem importante daquela época, começou a mexer com navio e montar fábrica de tudo quanto era coisa: ponta, gelo, renda e bordado. Antônio, de tanto trabalhar no mar, sempre que via um desses bordados dizia que parecia a espuma na beira d’água.

Ainda era muito menina quando toda a gente precisava pegar barco sempre que atravessava da ilha para o continente. Viver aqui era estar meio preso na ilha. Quando bordaram uma ponte de aço abrindo caminho para o progresso, pensaram em chamar de Ponte da Independência, com toda razão. A comida preferida dos trabalhadores era o mocotó do morro da nossa escola, que acabou ficando conhecido pelo nome da comida. O governador da época não aguentou a tempo da inauguração – chegaram a fazer uma ponte de madeira perto do trapiche pra ele inaugurar, com direito a discurso, fanfarra e foguetório na praça – e deram o nome dele: Hercílio Luz. Muitos anos mais tarde, deixaram o caminho de ferro todo iluminado e o nome ficou muito bonito.

O porto ainda durou algumas décadas e trouxe muita coisa boa pra cidade. Era burburinho de notícias e novidades. Foi com um grupo de marinheiros que começou a nossa escola, que ajudei a dar vida e vocês têm que fazer ser eterna. A Protegidos da Princesa começou ali na Rua Major Costa, na casa do Libânio, nas bananeiras do Libânio. Ali começaram a conversar, embaixo das bananeiras e fundaram “Os Protegidos da Princesa”. Só tinha homem, não tinha mulher nessa época. E eu morava ali na Caixa D’Água, ali nos fundos, passava pela casa do Libânio e a gente já começou a enfrentar o batuque dos rapazes…

Com a ponte, a vida foi mudando e a cidade foi crescendo. Veio banco, fábrica de tecido e as coisas do mar ganharam outra importância. A pesca cresceu e as criações de ostras passaram a fazer a vida de muita gente. O banho de mar que era um luxo nas praias de Coqueiros, Bom Abrigo e Estreito, começou a trazer gente para conhecer as belezas da ilha e fazer o veraneio por aqui. Muitos foram ficando, porque a ilha é como coração de mãe, sempre cabe mais um.

Florianópolis foi crescendo e ganhou duas universidades. E pensar que na minha época era tão raro ver um doutor, hoje em dia vem gente estudada de todo o mundo trabalhar por aqui. É o tal do progresso, tecnologia, fazem até aquelas máquinas que a gente que é mais antigo tem dificuldade de entender, umas geringonças que dão certo. A cidade cresceu tanto que tiveram que fazer mais pontes de tanto carro que entra e sai! Onde era o campo de futebol em que os rapazes lá da minha pensão jogavam o campeonato profissional, fizeram o primeiro shopping da cidade, coisa tão fina que depois vieram outros! E o aeroporto, que começou como um simples campo de pouso, agora é internacional, coisa chique por essas bandas!

Eu vi essa cidade crescer e começo a pensar que ela não é de nenhum de nós. Já deixei vocês há algum tempo e vocês um dia vão deixar essa cidade para seus filhos e netos. Então, pensem bem no futuro. Minha alma se enche de esperança quando vejo gente lutando pela preservação. Lá na Lagoa, até o óleo de cozinha já é reciclado e tem muitos sonhadores pensando em trazer de volta a cidade com gente que chega pelo mar.

Continuem construindo nossa cidade geração após geração, sem esquecer de preservar a história, as tradições e a natureza. E, quando puderem, mandem notícias, porque aqui em cima também bate uma saudade. Não esqueçam desta velha mãe que ama muito todos vocês.

Com carinho,
Didi

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2 comments

  1. A Protegidos sendo uma escola atual campeã do carnaval, não pode ter um cláusula antiga como essa:

    I – Qualquer compositor poderá participar do concurso, sendo vedada a participação do mesmo em quaisquer outros concursos de samba de enredo para o Carnaval 2015 das demais cinco escolas do Grupo Especial da LIESF;

    No Rio, se coloca samba em todos os lugares, independente da bandeira e só nos Protegidos é que tem que ter essa exclusividade.
    Depois não reclamem se tiver 6 sambas na disputa e se desses 6 sambas, apenas um é competitivo para a escola.

    Saudações.

    1. Ricardo, você está desinformado. No Rio de Janeiro ninguém coloca samba em mais de uma escola do Grupo Especial. Se coloca, é de forma clandestina. Não sei como alguém se propõe a fazer um comentário escrevendo uma besteira como essas.

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