S.O.S Grandes Sociedades.

Recebi do meu amigo Rodrigo Leifer um e-mail com uma delicada e saudosa contribuição sobre um pouco da história das grandes sociedades. Num ar de saudosismo misturado com com um profundo apelo pela manutenção destas entidades que fizeram boa parte do carnaval da ilha, e que hoje, pede socorro para se manter e levar a frente uma bela história vivida por uma geração, que hoje conta as histórias das grandes noites do carnaval de Florianópolis.

Fica registrado o apelo ao poder publico e empresários para uma ajuda mais consistente na manutenção da nossa cultura.

Por Rodrigo Lifer.

ERA ASSIM…

Paulo Roberto Leifer, delegado de polícia aposentado, é hoje o atual Vice Presidente da Sociedade.

Encerrado o campeonato citadino de Florianópolis/SC era esperada a hora do segundo grande evento, o carnaval. Agremiações organizadas, com sedes próprias, contavam com a colaboração dos grandes “ilustres” da época. Afinal, a disputa era muito acirrada e a “gozação” levava o tempo de chegada do carnaval seguinte. Os trabalhos de galpão, contavam com hierarquias diversas. Era desde a figura do presidente até o “espião”. Figura que visitava os barracões adversários sob brechas e vãos deixados nas paredes para observar as possíveis surpresas que seriam apresentadas no concurso.

As alegorias mais esperadas era o pomposo carro da rainha (que levava a representante da sociedade, escolhida sob concurso entre representantes da comunidade) e o imponente carro de mutação (aquele que trazia efeitos, aberturas e grandes surpresas para o desfile). A Praça XV de novembro transpirava este momento… Torcidas eufóricas e na expectativa de levantar mais um caneco.

Os cortejos eram movidos por cavalarias e bandinhas.

Dentre as figuras importantes da cidade, tínhamos o carnavalesco David Gevaerd (Tenentes do Diabo), Donga (Granadeiros da Ilha).

Já a torcida era composta por Orlando Scarpelli, Guilherme Nicolich Chaplin, Bulcão Viana, Colombo Machado Salles, Esperidião Amin, Roberto Alves, Airton Oliveira, Miguel Livramento e outros grandes nomes que compunham a sociedade da época.

Os concursos iniciaram na década de 40. Sempre na Praça XV de novembro. Na década de 70 transferiu-se para a Av. Paulo Fontes, também na região central. Com o crescimento do carnaval da ilha e surgimento de outras agremiações carnavalescas, no final da década de 80, especificamente em 1989, foi inaugurada a passarela do samba “Nego Quirido”.

A maior vencedora das grandes sociedades é a Tenentes do Diabo, alcançando o inédito nona-campeonato entre 1970-1978. A rivalidade mais acirrada é Tenentes do Diabo x Granadeiros da Ilha. Reuniam a “nata” do carnaval da ilha. Já a sociedade que mais inovou nos movimentos e mutações foi a Limoeiro, fundada em 1979.

Nos dias de hoje, as sociedades estão condicionadas num mesmo galpão no bairro Itacorubi. Pelo espaço limitado, é impossível apresentar um trabalho de décadas passadas. Talvez com a sensibilidade, respeito e interesse do poder público, uma vez que são patrimônios artísticos da ilha da magia, possam em breve, estarem cada uma em seu próprio espaço físico. Somente assim, poderão desenvolver um trabalho à altura de suas verdadeiras e inesquecíveis histórias.

Na imagem, carro da rainha de 1991 – Tenentes do Diabo.
Autor: Nilton Manoel de Souza
1º lugar no concurso daquele ano.

artigo assinado por Rodrigo Leifer – Presidente

Site oficial: www.tenentesdodiabo.com.br

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One comment

  1. O NOME DISSO CHAMA-SE FALTA DE DIREÇÃO (E DE VISÃO) ARTÍSTICA NA ORGANIZAÇÃO DO CARNAVAL DA CIDADE. ENQUANTO NOS E.U.A ELES ENALTECEM E CAPITALIZAM ATÉ CONCURSO DE CHULÉ, AQUI SE DESPREZAM TRADIÇÕES SECULARES. MAS, EU AINDA TENHO FÉ QUE UM DIA A COISA PODE RETROCEDER. E EU QUERO ESTAR LÁ COM MINHA SOCIEDADE CARNAVALESCA. AGUARDEM…SE DEUS QUISER!

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