Sociedade Rosas de Ouro e o seu dilema existencial: Eficácia x Beleza Lírica

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Introdução

Antes de tudo, peço aos Deuses do Carnaval que despertem minha verve poética e que assim consiga expressar meu livre pensar.

A aurora desta manhã paira no Firmamento e conduz minh´alma a refletir em torno de um evento muito importante que antecede o Carnaval Paulistano 2016.

Artigo de Opinião

Para decifrar o motivo dessa importância, é fundamental rememorar o desfile da Sociedade Rosas de Ouro 2015 cujo enredo intitula “Depois da Tempestade, o Encanto”.

A expectativa da escola e do seu carnavalesco Jorge Freitas era obter o tão sonhado título. Infelizmente, a perda de 0,7 décimos nos quesitos samba-enredo, fantasia e enredo impediu a realização deste sonho. Diante disso, parece-me que a opção da escola para a Folia 2016 é modificar radicalmente sua filosofia de trabalho.

Tal impressão se fundamenta em três fatores: 1) A contratação de um novo carnavalesco com perfil bem diferente do anterior (André Cezari – Beija- Flor); 2) A opção por um enredo histórico-acadêmico – A História da Tatuagem – que difere dos últimos enredos da tríade Jorge Freitas – Murilo Lobo – Darlan (salvo 2010); 3) A promoção de um concurso de samba-enredo nacional cujo objetivo é ampliar a oferta de estilos desse gênero musical (tanto em letra quanto em melodia).

De fato, alguém pode me indagar o seguinte: o que falta para essa impressão se tornar realidade? Ao meu ver, falta um samba que reflita o novo espírito da Sociedade Rosas de Ouro.

Dentre as 4 obras que disputarão nesta sexta-feira a primazia de se tornar o novo hino da Roseira, apenas uma poderá refletir tal espírito. Com efeito, trata-se do samba 31, ou melhor, do samba de autoria de Paulinho do Ó, Afonsinho, Sandra Silva e Robertinho Villa Rica.

De certo modo, isso acontece porque tal obra propõe uma concepção melódica diferente daquelas que vigoraram nas últimas safras da Folia Paulistana. Trata-se de um samba com andamento mais dolente, já que a maioria dos seus versos são entoados de forma mais “espaçada”.

Porém, isso não é tudo: ela propõe também um novo parâmetro de avaliação por parte do órgão gestor da escola. Não se trata mais de avaliar uma música pela eficácia que a mesma deverá proporcionar no desfile, mas sim de aquilatar unicamente por sua beleza lírica.

Decerto, é evidente que estamos inserido numa cultura – o Carnaval – determinada pela eficácia (utilitarismo). Mas será que a verdadeira eficácia não advém da beleza lírica?

A margem desta pergunta, percebe-se claramente que nesta sexta estará em jogo muito mais do que a escolha do hino da nação azul-e-rosa. Em linhas gerais, pode-se dizer que estará em jogo a própria concepção de Carnaval da Roseira para 2016.

Por uma lado, três obras – sambas 8,10 e 11 – tentarão convencer o corpo de jurados que a eficácia (aliada a uma extrema qualidade) deverá se manter como princípio norteador dessa concepção. Por outro lado, porém, o samba 31 tentará demonstrar que a verdadeira eficácia advém da beleza lírica.

Por fim, vale observar que somente os Deuses do Carnaval sabem neste exato momento o final desta história. No entanto, posso lhes antecipar algo: a madrugada deste sábado será inesquecível para os amantes da Folia Paulistana, pois revelará o dilema existencial da Rosas de Ouro.

 

 

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